Tá de Chuva
Quando
te beijo lembro-me...
Quando
te ris e demonstras a felicidade penso...
Rio
contigo, angustiado, sentindo a presença das angustias permanentes...
Porque
te fiz sofrer, ou porque
te escondo a verdade??? Não
te quero ver triste, mas a verdade quer sair da minha boca, mas o demónio que há em mim nao a deixa sair...
Busco algo que patrocine o grande
derby que joga na minha alma:
Ou tu, ou a Razão.
Que ganhe o melhor!
Tudo corre bem quando algo nos convém...
A
Felicidade vem quando a desejamos, porque o desejar é o poder de desejar, e não o poder de ter o que podemos desejar.
Se alguém não perceber o que digo é porque nunca sofreu, e quem nunca sofreu não existe. Se no mundo existir alguém que tenha alcançado a felicidade sem se ter cruzado no caminho penoso e cruel do sofrimento, nao existe dentro dos limites da Razão, que é o que temos e o que somos, mas existe num abstracto contexto de metarmofoses e metaforas nas quais nao podemos basear a chave da nossa existencia humana.
Acabei por hoje.
Choro...
Não choro quando morre alguém desconhecido e nao choro quando vejo a guerra, porque nao sofro quando vejo alguem sofrer. Nunca choro por alguém me mentir, nem por estar a chover.. Não choro quando estou doente nem quando ninguem está. Sei que nunca chorei ao cair no chão, e quando me levantei sempre me ri.
Choro...
Jamais chorei a minha vida, e jamais perdi com isso. Não choro ao acordar cedo nem nos dias de chuva. Penso se algum dia gostarei da chuva, mas sei que sem ela nao posso viver. Algo que há em mim me diz que a chuva é minha amiga, no entanto nao choro quando ela me trai, e molha.
Nunca chorei ao perder a razao, nem ao despoletar sentimentos por alguém. Sei que isso nao vale a pena, porque simplesmente transpareço o rio que Ricardo Reis tanto mirava.
"Nao choro se nao chorares", mas eu choro e tu nao choras.
Alma viva em mim conta-me histórias de amor, e algo permanece senao a dor...
Choro...
Sim, eu choro quando me maltratas, mesmo que nao te sintas culpada. Sim, eu choro derradeiras cascatas que dos meus olhos brotam. Jorro sementes de águas pouco puras - foram uma vez cristalinas - sofro ao as ver escorrer o meu rosto...
Choro muito se nao me ves. Choro bem ao amanhecer e ao dormir - eu às vezes durmo!
Não é com má fé se te mostro má cara, sim tu, ó
Vida que me atormentas!
Chorei, e nao choro, sofri e nao morri...
Existe o
Sempre, o
Presente e o
Nunca, porque nunca aconteceu.
Quero molhar os meus lábios secos de desgostos e magoas do
Sempre, nas lágrimas que nunca deitei, e sentir o fresco da libedade do
Presente que me prende, e saber que para ti permaneço no
Nunca!
Mesmo assim...choro....
Falta-me a verdade que as pessoas querem saber. Falta-me a coragem para dizer o que sinto. Tou perdido na liberdade que me deram, e assim tenciono dar rumo a vida que me atormenta.
Sinto-me so na minha concha, aconchegado pela dureza que me envolve. Caí no lago da vida, onde permaneço sossegado, como um peixe que estranha o seu novo aquario.
Espero sentir a falta que nao me falta. Quero chorar o que nao chorei. Desejo alcançar o estado em que nao estou. So assim saberei o que me falta, e quem sou, e quem serei.
Que nao me falte a força que nunca antes actuou em mim. Agora penso nela porque tenho medo que me deixe. Sei que nunca antes me deixou, pois nunca de tal pensamento me lembrei.
Quero sonhar os sonhos perdidos em vastos campos pastados onde vacas e cabras vivem o seu dia a dia, olhando para o seu pasto e nao para o pastor.
Quero libertar-me das correntes, e sentir em mim o ar fresco do campo. o cheiro das cabras, das vacas, dos bois e de todo o tipo de vida que possa existir.
Quero ver o cajado enrugado e castiço do pastor que me vijia, ou da liberdade que me envelhece.
So nao me quero tornar igual aqueles que nao sabem do que estou a escrever.
..."À minha volta, reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade..." Simone de Beauvoir
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